Duelo Moral: Ética da Lei ou Sustentabilidade Ilegal?

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14 de fev. de 2022 – Duelo Moral: Ética da Lei ou Sustentabilidade Ilegal?

Era uma vez, numa terra tão tão distante, a entrada do império do rei pássaro possuía uma alameda de via duplicada com amplos espaços para carruagens irem e virem cada uma em sentido e espaço próprio.

No centro desta alameda havia um corredor largo onde dezenas de árvores sagradas, frondosas, verdejantes, que davam sombras, abrigo aos animais silvestres, purificavam o ar e protegiam o reino das tempestades e explosões de calor. Animais e pessoas eram protegidos, acolhidos e ainda recebiam das árvores sagradas muitas folhas de esmeraldas e flores de ouro na primavera.

Então o rei pássaro resolveu dar sua identidade e sua marca à Alameda de Entrada no Reino. Num ato coordenado emitiu documentos e em voz imperativa ordenou: Comecem a Obra! As árvores sagradas, frondosas e verdejantes, que davam riquezas infinitas, abrigos, sombras, flores, inclusive retirava poluentes e liberava ar puro, foram cortadas. Nos seus lugares, Palmeiras retilíneas e com poucas folhas, que custaram $1200 moedas de ouro cada uma, saíram do tesouro do popular.

Por óbvio, os súbitos e cidadãos do Reino reclamaram aos escribas que analisaram o gasto do tesouro do povo e a brusca transformação da alameda de entrada do reino. Ficou evidente que o rei pássaro e seus ministros erraram no procedimento burocrático e um TAC (Termo de Ajuste de Conduta) foi firmado. A coroa do rei pássaro reconheceu o erro e se comprometeu a corrigir com plantio de outras dezenas de árvores sagradas, frondosas e não apenas as palmeiras retilíneas e quase sem folhas.

O rei pássaro terminou seu governo com relativa paz e apesar da vida milenar, mais ainda mortal, o rei pássaro nos deixou no reino tão tão distante e foi levado aos céus pelos anjos d`além vida…

Assim, um novo Monarca, o então o Príncipe Alfaiate ascende ao trono após aclamação popular. Como a coroa estava em transição de poder e membros da corte eram avaliados e reorganizados, novos projetos foram apresentados e velhos acordos (TAC Av PB) ficaram sem resolução imediata.

Como o TAC para plantar novas árvores sagradas na alameda de entrada do Reino ficou público, alguns súditos e cidadãos do reino, de modo Cordial*, carregados pela paixão, aproveitaram-se do Aniversário da Amizade e iniciaram o plantio das Árvores Sagradas na alameda de entrada do reino.

Como se observa, o Rei Alfaiate ainda não cumpriu o TAC do reino do rei pássaro, e os Cordiais da Amizade tomando a iniciativa apaixonada, foram questionados: Os escribas permitiram isso? Podem os Cordiais da Amizade usurpar o dever do Rei Alfaiate? Neste dilema, o Rei Alfaiate fez seus ministros pedirem que os Cordiais da Amizade retirem as árvores sagradas para que a coroa as plante conforme o TAC o obriga.

Agora temos o Duelo Moral: Os Cordiais da Amizade devem retirar as Árvores Sagradas da alameda de entrada do reino e ficar dentro da Ética da Lei dos escribas? Ou o Rei Alfaiate deve manter as Árvores Sagradas e assim restaurar a Sustentabilidade e bem estar fora da Previsão Legal dos escribas?

Por fim, muitas Lendas e Mistérios ainda se revelarão sobre o Reino Tão Tão Distante. Por hora, peço que o Rei Alfaiate e os Cordiais da Amizade promovam um acordo: Mantenham as Árvores Sagradas e deixem os escribas julgarem qual encaminhamento é o mais justo, afinal, o Rei Alfaiate tem que plantar árvores sagradas (TAC) e os Cordiais da Amizade, apesar de impulsivos apaixonados, erraram só a liturgia do cerimonial, não o mérito. … Era uma vez no Reino Tão Tão Distante …

@profsta #profsta @contexto.inf

*Cordial como apresenta Sérgio Buarque de Holanda em Raízes do Brasil, de 1936, que prioriza a emoção frente à razão.