
Ratinho Jr. opta pelo mandato integral e se retira de todas as disputas em 2026; foco será a sucessão estadual
O cenário político do Paraná e do Brasil ganhou contornos definitivos nesta semana. O governador Ratinho Júnior (PSD) confirmou que não renunciará ao cargo, decidindo cumprir seu mandato até o último dia, em 31 de dezembro de 2026. A decisão, embora apresentada como um compromisso administrativo, é um movimento estratégico que encerra sumariamente qualquer plano de candidatura ao Senado, à Vice-Presidência ou à Presidência da República.
Fora do jogo eleitoral, dentro da articulação – Pela Lei de Inelegibilidades (LC 64/90), chefes do Executivo que desejam disputar cargos diferentes precisam deixar o posto seis meses antes do pleito. Ao ultrapassar o prazo de abril no comando do Estado, Ratinho Júnior torna-se inelegível para 2026.
Essa escolha visa, primordialmente, manter a “caneta” e o controle do grupo político para arbitrar a disputa entre seus dois principais aliados:
Alexandre Curi (PSD): Presidente da Assembleia Legislativa, com forte trânsito entre os deputados.
Guto Silva (PSD): Secretário de Planejamento, com perfil técnico e apoio de boa parte dos prefeitos.
A permanência de Ratinho no cargo impede que o vice, Darci Piana, assuma o governo com poder de nomeação, mantendo o atual governador como o único “fiel da balança” na escolha do sucessor.
O risco jurídico: a linha tênue entre governo e campanha – Embora a máquina pública seja uma aliada poderosa para impulsionar um sucessor, o governador entra agora em um campo minado jurídico.
O professor Stallone Ribeiro alerta que o uso do cargo para fins eleitorais pode configurar Abuso de Poder Político.
De acordo com as regras do TSE, o governador deve estar atento a:
Publicidade Institucional: É vedado o uso de canais oficiais para promover candidatos.
Condutas Vedadas: Inaugurações de obras com presença de pré-candidatos e a liberação de recursos condicionada a apoios políticos são alvos frequentes de ações de investigação judicial eleitoral (AIJEs).
Punições Rigorosas: Caso fique comprovado que a estrutura do Estado foi usada para beneficiar Guto Silva ou Alexandre Curi, o governador pode enfrentar desde multas pesadas até a cassação do mandato e a inelegibilidade por 8 anos, mesmo que ele próprio não seja o candidato.
“A permanência no cargo dá força política, mas retira a liberdade de campanha. O governador terá que ser um gestor de dia e um articulador de bastidor à noite, pois qualquer deslize na agenda oficial pode ser judicializado pela oposição”, avalia o professor Stallone Ribeiro.
@contexto.inf @profsta
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