
Faltando menos de três semanas para o fechamento da janela partidária (3 de abril), o cenário político do Paraná vive um paradoxo sem precedentes. Enquanto o calendário eleitoral avança, a capital paranaense se tornou o epicentro de uma queda de braço que envolve lideranças nacionais, índices de pesquisas acachapantes e um racha silencioso — mas profundo — na base governista.
O Fenômeno Sergio Moro e o Veto de Ricardo Barros
O maior “nó” político do estado atende pelo nome de Sergio Moro. O senador (atualmente no União Brasil, mas sob influência da federação com o PP) lidera todos os levantamentos de intenção de voto com folga, registrando médias acima de 40%. Para se ter uma ideia do abismo, Moro aparece com uma vantagem de 15 pontos sobre o segundo colocado e mais de 30 pontos à frente do terceiro.
Contudo, o prestígio nas urnas não se traduz em sossego partidário. O influente deputado federal Ricardo Barros (PP) já sinalizou publicamente o veto à candidatura de Moro pelo Progressistas. O paradoxo é nítido: uma sigla negando legenda ao candidato que, hoje, venceria a eleição possivelmente no primeiro turno.
- O Peso do Dinheiro: O PP detém uma das maiores fatias do Fundo Eleitoral (est. R$ 417 milhões) e o segundo maior tempo de TV do país. Se Moro for forçado a mudar de partido para garantir a candidatura, ele arrisca perder essa estrutura gigantesca, a menos que o União Brasil (com seus R$ 536 milhões) segure sua permanência contra a vontade da ala paranaense do PP.
Requião Filho: A Oposição que Ganha Corpo
No campo oposto, o deputado estadual Maurício Requião Filho (PDT) consolidou-se como o “anti-Ratinho”. Estável na segunda posição com cerca de 25% das intenções de voto, ele já desponta como presença garantida em um eventual segundo turno. Sua candidatura é o guarda-chuva de uma ampla aliança de esquerda e centro-esquerda, englobando a federação PT/PV/PCdoB, além de Rede/PSOL e o cobiçado PSB.
- A Força da Coalizão: Somados, os partidos que orbitam Requião Filho controlam uma fatia que ultrapassa R$ 1 bilhão do Fundo Eleitoral. O PT sozinho detém a segunda maior verba nacional (aprox. R$ 619 milhões), garantindo à oposição um fôlego financeiro que poucas vezes se viu no estado.
O Dilema do PSB e a Fragmentação do PSD
O PSD de Ratinho Jr. enfrenta um problema doméstico: a falta de um sucessor natural. Seus três principais “escudeiros” — Rafael Greca, Guto Silva e Alexandre Curi — não conseguem romper a barreira dos 20% individualmente. A insistência dos três em encabeçar a chapa gera um racha que pode forçar deserções.
Enquanto isso, o PSB vive uma crise de identidade. Nacionalmente alinhado a Geraldo Alckmin, o partido sofre pressão para marchar com Requião Filho. Entretanto, há uma ala que flerta com a filiação de nomes como Greca ou Curi para tentar uma “terceira via”. O risco? Enfrentar a eleição com recursos reduzidos (aprox. R$ 147 milhões) e isolamento político, contrariando a cúpula em Brasília.
Tabela: O Tabuleiro de Forças (Estimativas TSE 2026)
| Partido / Bloco | Fundo Eleitoral (Nacional) | Tempo de TV | Principal Nome no PR |
| PL | ~ R$ 886 Milhões | Máximo | Flávio Bolsonaro (Apoio) |
| PT / Federação | ~ R$ 619 Milhões | Alto | Requião Filho (Apoio) |
| União Brasil | ~ R$ 536 Milhões | Alto | Sergio Moro |
| PSD | ~ R$ 420 Milhões | Alto | Ratinho Jr. / Sucessores |
| PP | ~ R$ 417 Milhões | Alto | Ricardo Barros / Cida |
| PDT / PSB | ~ R$ 320 Milhões (Soma) | Médio | Requião Filho / Greca? |
Conclusão: Cartas na Mesa, Emoção no Horizonte
As próximas três semanas serão de “traições metafóricas” e alianças de conveniência. O desenho final que veremos em 3 de abril será apenas o rascunho de um tabuleiro onde o líder das pesquisas luta por um partido e a situação luta por um nome.
A definição real, o “quem é vice de quem”, só será carimbada nas convenções de julho. Até lá, o clima é de alta voltagem. Resta saber: Sergio Moro conseguirá manter sua liderança sem o apoio do PP? Os “fieis escudeiros” do PSD entrarão em acordo ou trocarão de barco? E quem comporá com o PL do presidenciável Flávio Bolsonaro?
Haja emoção para quem acompanha de perto os bastidores da política paranaense.
@contexto.inf @profsta
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