
CIANORTE, PR – A Câmara Municipal de Cianorte vive um dos momentos mais tensos de sua história recente. Em um curto intervalo de tempo, dois de seus parlamentares foram alvos de operações policiais por motivos distintos, colocando o Poder Legislativo diante de um espinhoso dilema ético e político: a aplicação do rigor da cassação por quebra de decoro parlamentar ou a manutenção dos mandatos enquanto a justiça comum não profere decisões definitivas?
Os Personagens e as Acusações – O cenário de crise começou com o vereador Rafael Araújo (PL) acusado de fabricar e comercializar medicamentos para emagrecimento sem o devido licenciamento sanitário. Rafael Araújo chegou a ser preso, mas atualmente responde ao processo em liberdade e continua Vereador. No âmbito legislativo, seu processo de cassação avançou e a previsão de desfecho é para o mês de Maio/2026.
A crise ganhou um novo e dramático capítulo hoje, 07 de abril de 2026, com a prisão do vereador Victor Hugo Davanço (Podemos), atual presidente da Casa. Davanço é investigado por suposto envolvimento em atividades ilícitas vinculadas à exploração do jogos de azar.
Presunção de Inocência vs. Decoro Parlamentar – É fundamental destacar que, juridicamente, ambos os vereadores permanecem inocentes. Não há, para nenhum dos dois casos, sentença de primeiro grau ou trânsito em julgado. Contudo, o rito de cassação em Câmaras Municipais não é um processo jurídico estrito, mas sim um julgamento político.
A “quebra de decoro” é um conceito subjetivo que permite que o plenário decida se a conduta do parlamentar — independentemente de condenação criminal — fere a dignidade da instituição. É aqui que reside o impasse: se a Casa avançar contra um e poupar o outro, abre-se espaço para críticas de seletividade. E se não cassar nenhum, mais críticas da sociedade ou a sábia espera da Justiça e da Verdade?
O Jogo de Forças: Situação e Oposição – Os bastidores revelam que o destino dos parlamentares pode ser selado pela aritmética partidária mais do que pelo mérito dos autos:
Rafael Araújo (PL – Oposição): Conta com um grupo reduzido de apoio (estimado em 3 votos favoráveis). Sua vulnerabilidade política torna o caminho para a cassação mais célere.
Victor Hugo Davanço (Podemos – Situação): Na condição de presidente e aliado do governo municipal, circula com uma base mais sólida (estimada em 8 votos). O peso de sua posição cria um escudo político que testa a coesão do grupo situacionista.
O Tabuleiro Político: Quem são os Beneficiários? – Se Victor Hugo Davanço sair rápido da prisão, seja por fiança ou qualquer outro motivo, poderá voltar a ser vereador enquanto o processo continua, exatamente igual ao edil Rafael Araújo que está vereador enquanto seu processo tramita.
Entretanto, diante de um possível afastamento prolongado ou da cassação definitiva, caso se abra um processo político contra Victor Hugo Davanço, é prevista uma dança das cadeiras imediata no comando e na composição do Legislativo cianortense:
1. Presidência Interina: O primeiro na linha de sucessão para assumir a presidência da Câmara de forma interina é o atual vice-presidente, Afonso Lima (Avante). Caso a ausência de Davanço se estenda, caberá a Afonso Lima do SAMU convocar novas eleições para a Mesa Diretora.
2. A Dança das Suplências: No partido Podemos, a vacância da cadeira de Davanço (com base nos resultados de 2024) coloca em prontidão o primeiro suplente, Fábio Juliano (que obteve 276 votos). Na sequência, figuram a segunda suplente, Eliete do Açougue (137 votos), e a terceira suplente, Angela Carvalho (117 votos).
3. Impacto nas Eleições Estaduais: Fora do recinto da Câmara, o cenário beneficia estrategicamente o pré-candidato a deputado estadual Sérginho de Vidigal (Republicanos). Nos bastidores da política cianortense, Victor Hugo Davanço, embora mantivesse uma postura discreta sobre suas ambições eleitorais em 2026, era visto por analistas como o principal concorrente de Sérginho de Vidigal na disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa, dada sua influência e base eleitoral na cidade.
O desfecho de Maio para Rafael Araújo servirá de termômetro. Se a Câmara estabelecer o rigor como norma, o precedente para o caso de Victor Hugo Davanço será inevitável. Se recuar, o Legislativo sinaliza que aguardará os tempos do Judiciário, sob o risco de desgaste de imagem perante a opinião pública, mas também se protege de possíveis injustiças… E agora Cianorte?
Uma chuva acabou de lavar as lágrimas dos amigos e familiares, mas também limpou a estrada dando início a uma corrida pela Verdade e pela Justiça. Nesta 4ªfeira dia 8/Abril a Polícia Civil do Paraná deve esclarecer os detalhes de cada acusação e firmar próximos marcos desta jornada. E você? Qual será opinião?
@contexto.inf @profsta
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