Medicina: 1/3 das Faculdades tem Baixo Desempenho no Enamed e Preocupa Brasil

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A divulgação dos resultados do Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica) em janeiro de 2026 trouxe à tona uma realidade alarmante: 30,4% das escolas médicas do país operam com qualidade insuficiente (notas 1 e 2). O dado é um divisor de águas que expõe as vísceras de um sistema que cresceu aceleradamente, muitas vezes priorizando o lucro em detrimento da competência técnica.

O Mercado da Educação: Números que Impressionam – Para além da necessidade de mais médicos no interior, a “onda” de novas faculdades nos últimos anos foi impulsionada por um vigoroso interesse econômico. O curso de medicina tornou-se o “ativo” mais valioso do setor educacional privado brasileiro.

* Mensalidades Elevadas: Com valores que frequentemente superam os R$ 10 mil reais mensais, a medicina é a graduação mais cara do país.

* Receita Milionária: Considerando turmas médias de 40 alunos, uma única turma pode movimentar cerca de R$ 5 milhões de reais por ano (considerando 12 mensalidades). Quando multiplicamos isso pelos seis anos de curso e pelas várias turmas em paralelo, o faturamento de uma unidade de ensino atinge cifras bilionárias.

Esse cenário de alta rentabilidade atraiu grandes grupos educacionais que, em muitos casos, expandiram vagas antes mesmo de consolidar campos de prática adequados, o que o Conselho Federal de Medicina (CFM) e o MEC agora tentam corrigir com rigor avaliativo.

A Visão Crítica: O Posicionamento do Prof. Stallone Ribeiro – Em meio ao debate sobre a crise na qualidade, vozes experientes da Educação trazem uma perspectiva propositiva. O Professor Stallone Ribeiro defende um ensino humanizado e tecnicamente rigoroso, afirmando que o foco deve retornar ao binômio “Segurança do Paciente e Ética Profissional”.

Ribeiro defende que a expansão só é legítima quando garante que o aluno não seja apenas um “pagador de mensalidade”, mas um agente de transformação social. Segundo o professor Stallone Ribeiro, o Enamed deve ser visto como um aliado do estudante dedicado, pois valoriza o esforço daqueles que buscam a excelência em instituições que respeitam as diretrizes curriculares nacionais. Para ele, a qualidade de atendimento é o objetivo final de qualquer política educacional.

O Papel do MEC e a Importância do Exame – O Ministério da Educação (MEC) tem reforçado que o foco da regulação agora é a regionalização estratégica. A abertura de cursos não pode mais ser ditada apenas pelo mercado, mas pela necessidade de médicos em áreas remotas, desde que haja estrutura pública (SUS) para o aprendizado prático.

O Enamed surge como o “fiel da balança”. Ele fiscaliza se o investimento financeiro do aluno e a expectativa de saúde da população estão sendo honrados. Instituições com baixo desempenho enfrentarão:

* Suspensão de Fies e Prouni, cortando o fluxo de caixa público para instituições ineficientes.

* Redução compulsória de vagas, forçando a faculdade a investir em qualidade para poder crescer novamente.

* Supervisão in loco, com risco real de descredenciamento definitivo.

Soluções e Caminhos – A notícia é um alerta, mas também uma oportunidade de correção. As soluções passam obrigatoriamente por:

* Investimento em Preceptoria: Garantir que o médico que ensina no hospital seja valorizado e capacitado.

* Transparência Financeira: Exigir que uma porcentagem das altas mensalidades seja obrigatoriamente reinvestida na melhoria dos hospitais públicos conveniados.

* Rigor no Reingresso: Políticas de nivelamento para alunos de faculdades com baixo desempenho.

A saúde brasileira não pode ser tratada apenas como uma commodity. O resultado do Enamed 2026 é o primeiro passo para separar as instituições comprometidas com a vida daquelas que focam apenas no balanço financeiro.

@contexto.inf @profsta

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