
A exatamente 24 horas do encerramento do prazo oficial para a realização das convenções partidárias e homologação das candidaturas junto à Justiça Eleitoral, o quadro político do Paraná entra na fase final de definições para as Eleições de 2026. As articulações de bastidor em Curitiba consolidaram três grandes blocos majoritários que disputarão o Palácio Iguaçu e as duas vagas abertas ao Senado Federal, definindo também a partilha do Fundo Eleitoral e do tempo de propaganda no rádio e na televisão.
Na ala conservadora e de direita, o Partido Liberal selou a chapa ao governo com Sergio Moro, natural de Maringá e com base política em Curitiba, para candidato a governador, tendo Edson Vasconcelos, empresário e liderança de Cascavel, como seu vice, ambos do PL. Para a disputa ao Senado Federal, o grupo indica o deputado federal Filipe Barros, de Londrina, pelo PL, além de Deltan Dallagnol, natural de Pato Branco e com atuação em Curitiba, pelo Partido Novo, cuja candidatura ainda passa por apreciação judicial. A coligação conta com o apoio formal do PL, do Partido Novo, do Podemos e da Democracia Cristã, deixando a indicação dos nomes dos suplentes para homologação em ata complementar antes do encerramento dos trabalhos partidários.
No campo da centro-esquerda e da frente progressista, o deputado estadual Requião Filho, de Curitiba, lidera a chapa ao Palácio Iguaçu pelo PDT, tendo ao seu lado Michele Caputo (natural de Maringá), ex-secretário estadual de Saúde e também de Curitiba, do Solidariedade, no posto de candidato a vice-governador. A chapa para o Senado Federal é composta integralmente pelo Partido dos Trabalhadores, trazendo a deputada federal Gleisi Hoffmann, de Curitiba, para a primeira vaga e o ex-deputado Dr. Rosinha, médico com base em Piraquara e Curitiba, na disputa pela segunda cadeira, ambos respaldados por uma ampla aliança formada pelo PDT, pela Federação Brasil da Esperança — que reúne PT, PCdoB e PV —, pela Federação PSOL-Rede e pelo Solidariedade.
Já o bloco governista de centro reuniu uma grande aliança partidária em torno da candidatura de Sandro Alex, de Ponta Grossa, pelo PSD, ao governo estadual, tendo o ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca, do MDB, como candidato a vice-governador. A primeira vaga para o Senado ficou com o deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa Alexandre Curi, de Curitiba, pelo Republicanos, enquanto a segunda vaga ao Senado permanece em aberto no rascunho final, dependendo do fechamento das atas das negociações entre o Partido Progressistas e o União Brasil. O arco de alianças da base governista engloba o PSD, MDB, Republicanos, a federação União Progressista, a Federação PSDB/Cidadania e o Avante.
A formação dessas coligações impacta diretamente a divisão dos recursos e da exposição na mídia. De acordo com as regras do Tribunal Superior Eleitoral baseadas no tamanho das bancadas na Câmara dos Deputados, a chapa governista de Sandro Alex detém a maior fatia do tempo de rádio e TV, acumulando entre 45% e 50% do horário gratuito, além do maior volume do Fundo Especial de Financiamento de Campanha por reunir legendas como PP, União Brasil, PSD e MDB. O bloco conservador de Sergio Moro garante o segundo maior espaço, com cerca de 25% a 30% do tempo de propaganda e substancial verba eleitoral impulsionada principalmente pela bancada federal do PL. Por sua vez, a coligação de centro-esquerda de Requião Filho e Gleisi Hoffmann assegura aproximadamente 20% a 25% da grade de transmissão e recursos concentrados do PT nacional, apostando no alinhamento com o governo federal para rivalizar com a estrutura do Palácio Iguaçu e a força das bancadas liberais.
Embora as convenções partidárias se encerrem formalmente nesta quarta-feira, 5 de agosto, o desenho definitivo ainda deixa em aberto ao menos três vagas para o Senado e suas respectivas suplências na disputa paranaense. As articulações, no entanto, não param: a legislação eleitoral concede às executivas partidárias o prazo final até 15 de agosto para protocolar os registros oficiais de candidatura e selar eventuais substituições ou nomes pendentes nas atas das coligações.
1. As Chapas ao Governo do Paraná e Vagas ao Senado
Chapa Liberal / Conservadora: PL, Novo e Aliados
- Governador: Sergio Moro (PL)
- Vice-Governador: Edson Vasconcelos (PL)
- Senador 1: Filipe Barros (PL)
- Suplência: A ser homologada em ata complementar pelo diretório do PL.
- Senador 2: Deltan Dallagnol (Novo) (sub judice / sob contestação juridico-eleitoral)
- Suplência: A ser indicada pela convenção do Partido Novo.
- Partidos Coligados: Partido Liberal (PL), Partido Novo, Podemos e Democracia Cristã (DC).
Chapa de Centro-Esquerda: Federação Brasil da Esperança e Frente Progressista
- Governador: Requião Filho (PDT)
- Vice-Governador: Michele Caputo (Solidariedade)
- Senadora 1: Gleisi Hoffmann (PT)
- Suplência: Cota interna da Federação PT/PCdoB/PV.
- Senador 2: Dr. Rosinha (PT)
- Suplência: Reservada a partidos integrantes da frente progressista.
- Partidos Coligados: Partido Trabalhista Brasileiro/PDT, Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV), Federação PSOL-Rede e Solidariedade.
Chapa Governista / Centro: PSD, MDB e Centrão
- Governador: Sandro Alex (PSD)
- Vice-Governador: Rafael Greca (MDB)
- Senador 1: Alexandre Curi (Republicanos)
- Suplência: Indicada pela bancada governista.
- Senador 2:Vaga em aberto (Disputada entre lideranças da União Progressista e partidos da base)
- Suplência: A definir pós-fechamento da ata.
- Partidos Coligados: Partido Social Democrático (PSD), Movimento Democrático Brasileiro (MDB), Republicanos, União Progressista (União Brasil e PP), Federação PSDB/Cidadania e Avante.
2. Peso Eleitoral: Tempo de Rádio/TV e Fundo Partidário
A distribuição do tempo no Horário Gratuito de Propaganda Eleitoral (HGPE) no rádio e na TV, assim como a fatia do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), segue a regra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) baseada na representatividade da Câmara dos Deputados:
| Bloco / Coligação | Participação Estimada no Rádio e TV | Volume do Fundo Eleitoral (FEFC) |
| Sandro Alex (PSD / MDB / Centrão) | ~ 45% a 50% do tempo total | Maior fatia do estado (puxada pelas bancadas do PP, União, PSD, MDB e Republicanos). |
| Sergio Moro (PL / Novo / Podemos) | ~ 25% a 30% do tempo total | Segunda maior fatia, alavancada principalmente pelo PL, dono da maior bancada individual. |
| Requião Filho (PDT / PT / Aliados) | ~ 20% a 25% do tempo total | Terceira fatia, impulsionada pelo orçamento e presença nacional do PT. |
Impacto nas Estratégias de Campanha
- Bancada de Apoiadores x Horário de TV: O candidato Sandro Alex (PSD) assegura o maior tempo de exposição e a maior verba proporcional, sustentado por uma ampla rede de prefeitos e bancadas na Assembleia e em Brasília.
- Força Individual do PL: A chapa de Sergio Moro (PL) compensa o número menor de legendas coligadas com o peso da estrutura nacional do PL e com o tempo reservado pelo Podemos e Novo.
- Palanque Nacional: O bloco de Requião Filho (PDT) e Gleisi Hoffmann (PT) aposta na sincronia com o governo federal para alavancar a presença na TV e mobilizar a militância progressista no Estado.
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