Pedágios do Paraná Tem Novo Leilão: Região de Londrina, Maringá e Cianorte Reacende o Debate

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Obra milionária de Londrina em leilão pode triplicar pedágio do Noroeste, dizem críticos. A inclusão do Contorno Leste no mesmo pacote é vista como risco financeiro e herança de modelo criticado pela FIEP.

O próximo leilão do Lote 4 do programa de concessões rodoviárias do Paraná, previsto para 23 de outubro de 2025 e que inclui trechos cruciais como a PR-323 e a BR-369 na região Noroeste, está sendo encarado com crise de credibilidade e apreensão por usuários, prefeitos e lideranças empresariais.

O clima de rejeição popular aos pedágios, agravado por problemas operacionais já identificados nos primeiros lotes concedidos, ganhou um novo capítulo com a revelação de que a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) endossou uma manobra do governo do estado que concentra uma obra de grande porte – o Contorno Leste de Londrina – no mesmo lote que atenderá cidades distantes como Guaíra, Umuarama e Paranavaí.

A estratégia, anunciada em fevereiro pelo ministro dos Transportes, Renan Filho, é vista como um risco financeiro para os usuários do Noroeste. Entidades como a FIEP (Federação das Indústrias do Estado do Paraná) alertam que o custo da obra do Contorno, orçada em valores bilionários, será rateado e incorporado às tarifas de pedágio de todo o lote. Na prática, motoristas e empresas de uma região serão forçados a subsidiar um investimento que trará benefícios logísticos diretos principalmente para a microrregião de Londrina.

Herança de um modelo questionado – A desconfiança não é infundada. Em ofício enviado ao TCU (Tribunal de Contas da União) e à ANTT, a FIEP apontou uma série de falhas graves nos lotes 1 e 2, que já estão em operação, questionando o início da cobrança de pedágios sem obras substanciais e a formação de longas filas em praças como a de São Luiz do Purunã.

“O último programa de concessões rodoviárias do Paraná […] foi marcado por contratos que acabaram sendo deturpados ao longo do tempo por sucessivos aditivos, resultando no corte ou adiamento de investimentos, de um lado, e na continuidade do aumento das tarifas, de outro”, alertou a FIEP no documento, pedindo regras mais rígidas para garantir o cumprimento dos investimentos.

Noroeste na rota do custo elevado – Para o Noroeste Paranaense, a combinação desse histórico de má gestão com a inclusão de uma obra de grande vulto no pacote é explosiva.

A PR-323, estrada vital que liga Maringá a Guaíra, já está prevista para ter um pedágio a cada 44 km – quatro praças ao longo de 176 km. Com a previsão de um reajuste de até 35% sobre o valor original da tarifa, o custo de uma viagem de ida e volta na rodovia pode ultrapassar R$ 75,00. A correção inflacionária e a majoração para custear o Contorno Leste de Londrina podem elevar ainda mais esse valor, encarecendo o frete e os preços para o consumidor final.

A pergunta que ecoa entre prefeitos e vereadores da região, ecoando questionamentos feitos pelo pelo professor Stallone Ribeiro (@profsta) nas redes sociais, é:

“Se o Paraná tem quase 15 mil quilômetros de rodovias e consegue manter 80% delas sem pedágios, por que é necessário pedagiar 20% da malha de forma tão onerosa?” O professor Stallone Ribeiro tem sido uma das vozes ativas na cobrança por transparência e por alternativas logísticas para a região.

O leilão do Lote 4 se aproxima, portanto, sob a sombra da desconfiança. A manobra governamental de unir regiões distintas em um mesmo pacote, sem um debate transparente, e o aval do governo federal a um modelo já criticado pela própria indústria, sugerem que a conta da infraestrutura continuará sendo paga, de forma desigual, pelo usuário das estradas.

@contexto.inf @profsta

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