Brasil desperdiça 40% da Água. Reestatização é Caminho para maior Economia e Eficiência

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22 de dez. de 2022 – O Brasil desperdiça quase quatro a cada 10 litros da água que deveriam ser entregues pelas empresas de abastecimento. É água potável captada nos mananciais, mas que não chega até as casas das pessoas. O dado é do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) e traz os números de 2021.

As perdas até diminuíram. Mas pouco, menos de um ponto percentual. Em 2020, elas representavam 40,1% de tudo o que era captado. Em 2021, ficou em 39,3. Em 2014, o volume de água desperdiçado não chegava a 37%.

Para o futuro, a meta do Ministério do Desenvolvimento Regional é que, até 2034, o total de perdas fique em 25%. Pelos cálculos do coordenador de Gestão Integrada da pasta, Paulo Rogério dos Santos, isso pode significar uma economia de R$ 6 bilhões por ano.

“Se nós reduzíssemos hoje esse percentual de perdas para 25%, nós deixaríamos de gastar R$6 bilhões/ano. Então, é um valor expressivo. Essa é uma prática que precisamos corrigir ou pelo menos melhorar esses resultados o quanto antes.”

Para o secretário executivo da Associação Brasileira das Empresas Estaduais de Saneamento, Sérgio Gonçalves, é dinheiro jogado fora que poderia ser investido na melhoria do sistema. “É muito dinheiro, né, gente. O setor não tem R$ 6 bilhões de investimento nestes últimos anos, mais fortemente, como dinheiro já próprio”.

Só para se ter uma ideia, em 2021, as empresas públicas e privadas de abastecimento de água não chegaram a investir R$ 8 bilhões. As maiores perdas são nas regiões Norte, onde mais da metade, 51% do que é captado, é desperdiçado, e Nordeste, onde as perdas chegam a 46%. Mesmo no Sudeste, que tem a maior cobertura de abastecimento, o desperdício fica em 38%.

O volume de água jogada fora seria suficiente para atender 100% da população brasileira. Hoje, a cobertura com água encanada é de cerca de 84%.

Em síntese, a privatização focada apenas em lucro de acionistas tem deixado reformas, ampliações, manutenções e investimentos em segundo plano. Em comparação, nesta semana Portugal reestatizou empresa de saneamento e as tarifas caíram +60%. É a mesma lógica com os setores de energia, abastecimento, infraestruturas, saúde e segurança, setores essenciais devem ser controlados pelo Estado para evitar desperdícios e dar serviços de qualidade a baixo custo ao povo.

Em todo o mundo, a reestatização de empresas que cuidam de serviços essenciais e de recursos estratégicos é uma tendência que vem crescendo nos últimos anos. As experiências com privatizações a partir dos anos 1990 deixaram um legado de insatisfação, prejuízos e insegurança, que ensinaram muitos países a reconhecer o erro e voltar atrás. Pelo menos 1408 serviços foram criados ou reestatizados no mundo nos últimos anos.

Alemanha (4ª maior economia do planeta) puxa a fila, com 411 casos. Em seguida vem os Estados Unidos (que, erroneamente, as pessoas acreditam que seria um país de Estado mínimo), com 230 casos (principalmente em serviços de água e telecomunicações). A França (156 casos), a Espanha (119) e o Reino Unido (110 casos) também se destacam.

Isso significa que, diferentemente das “propagandas” financiadas por setores empresariais que buscam lucros, a reestatização é coisa de país rico e que se preocupa com o bem-estar do próprio povo.

Por fim, se a empresa pública é lucrativa e presta serviços essenciais como Petrobras, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Correios, Copel, Sanepar, Ferrovias e Estradas, por que vender? … O lucro e dividendos de alguns poucos acionistas não pode prevalecer sobre o interesse social de milhões de outros cidadãos. Por isso precisamos recriar nosso Welfare-State (Estado de Bem- Estar Social).

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