
Governo do Paraná propõe reajuste a docentes retroativo a Abril de 2025, mas déficit histórico preocupa
O Governo do Paraná enviou nesta 2ªfeira 26/Maio à Assembleia Legislativa um projeto de reajuste salarial para professores em 2025, com percentuais que variam de 4% a 11,3%, dependendo do nível e classe, retroativos a Abril de 2025.
Apesar de atrasado e bem-vindo, as críticas persistem sobre a desvalorização histórica da categoria. Entre 2016 e 2024, a inflação acumulada pelo IPCA foi de 42%, enquanto os reajustes salariais somaram apenas 5%, um déficit de 37% nos últimos 10 anos.
Em 2021, a política de reajustes desequilibrados já havia marcado o Paraná: professores iniciantes (Nível I) receberam 48% de aumento, elevando o piso de R$ 3.730 para R$ 5.527 (40h), enquanto os do topo (Nível III) tiveram apenas 7%.
“Ajustes assim aprofundam desigualdades. Quem dedicou décadas à sala de aula vê seu esforço desprestigiado”, alerta Stallone Ribeiro, professor e especialista em Ensino.
Em 2025, a disparidade continua: Docentes do Nível I Classe 1 (40h) terão 11,3% de reajuste, enquanto os do Nível III Classe 11 receberão 4% . A diferença absoluta entre base e topo cairá de R$ 7.311,87 para R$ 7.244,65, resultando no achatamento progressivo da carreira. “O governo parece premiar a entrada e punir a permanência. Quem investiu anos na educação é penalizado”, critica o professor Stallone Ribeiro.
O especialista ressalta problemas estruturais. “Apesar de bem-vindo o reajuste não alcança toda a reposição salarial necessária. Um professor que ganhava R$ 5.000 em 2016 perdeu R$ 1.850 para a inflação. Nenhum bônus resolve isso”, explica… Ribeiro ainda pondera: “Sem valorização hierárquica, a profissão perde sentido. Como atrair talentos para uma carreira que não reconhece experiência?”
Enquanto a Assembleia discute o projeto, professores destacam: “Precisamos de salários que acompanhem a inflação e respeitem a trajetória profissional”, resume Ribeiro.
Com o déficit histórico de 37% na reposição salarial (inflação de 42% contra reajustes de 5%), a educação paranaense sofre um contraste gritante com outros poderes, pois servidores do Judiciário, Legislativo, outras carreiras executivas e cargos comissionados tiveram reajustes acima da inflação todos os anos durante o atual governo.
“Os professores representam 70% do efetivo de servidores públicos e respondem por menos de 30% da folha de pagamento do Estado, são a maior categoria e a mais desvalorizada… Enquanto outros setores são privilegiados, a Educação paga o preço da desigualdade”, conclui Stallone Ribeiro.
@contexto.inf @profsta
Entre em Nosso grupo WhatsApp e receba as Notícias em Primeira Mão: Clique Aqui
Fontes: Dados do IPCA (2016-2024), Lei Estadual nº 20.539/2021 e tabelas salariais da Secretaria de Educação do Paraná.

Compartilhe
Compartilhe: