
O Porto de Paranaguá, principal modal de exportações do Paraná e empresas de todo o Estado enfrentam desafios com a taxação de 10% sobre exportações para os EUA. Aqui você verá por setores e regiões do Estado as projeções de impactos nas maiores empresas e atividades econômicas.
A decisão dos Estados Unidos de impor tarifas de 10% sobre produtos brasileiros também alcança o Estado do Paraná que responde por 9,5% das exportações nacionais. Com impactos que vão do agronegócio à indústria de transformação, a medida fiscal dos EUA ameaça cadeias produtivas em todas as regiões do estado.
Agronegócio: Cooperativas e Agroindústrias em Risco
O Paraná, maior exportador de proteína animal do país, tem suas principais empresas em alerta, pois com novos valores acrescidos de 10% de taxas pelos EUA, os novos valores podem se tornar inviáveis e por lei da oferta e procura, sejamos obrigados a reduzir preços ou lutar com outros concorrentes. A exemplo, temos as carnes, grãos e cereais:
JBS (Toledo): Maior processadora de carnes do estado, com US$ 800 milhões em exportações para os EUA em 2023 (Dados: Relatórios anuais da empresa e FAEP);
Frimesa (Medianeira): Cooperativa que exporta 40% de sua produção de suínos para o mercado norte-americano (Dados: Relatórios anuais da empresa e FAEP);
Cocamar (Maringá): 30% da soja exportada vai para os EUA – faturamento de US$ 1,2 bilhão em 2023 (Dados: Relatórios anuais da empresa)
C.Vale (Palotina): Perda estimada em US$ 50 milhões com a taxação sobre milho e farelo de soja (Dados: Relatórios anuais da empresa e FAEP)
Indústria: Aço, Papel e Autopeças Sob Pressão
Gerdau (Araucária): Produção de 3 milhões de toneladas/ano – 15% destinados ao mercado americano (FIEP)
WestRock (Ponta Grossa): Exportações de celulose podem cair 12% em 2025
Volvo (Curitiba): Custos adicionais de US$ 2 milhões/ano com peças taxadas
Renault (São José dos Pinhais): Cadeia de suprimentos de autopeças será impactada nos preços ou redução do mercado.
Porto de Paranaguá e Logística
O maior terminal de grãos do Brasil movimentou 58 milhões de toneladas em 2023 e apresenta risco de queda de 5 a 8% no volume entre 2024 e 2025, afetando diversas Empresas do ramo da Logística. Outra preocupação é com estoques de contêineres vazios.
Londrina: Empresas de T.I., softwares e informática em geral estimam +15% custos com hardwares importados.
Cascavel: Cooperativas avaliam R$840 Milhões de Reais (US$ 150 milhões) em exportações ameaçadas aos EUA.
Guarapuava: Estima-se queda de 20% nas vendas de painéis de madeiras.
Reações e Estratégias
A análise de Stallone Ribeiro (@profsta) estamos diante do maior desafio comercial desde a crise de 2008 também dos EUA que afetou o mundo todo. Para que esta onda agora seja mais uma “marolinha”, Stallone Ribeiro destaca 4 medidas emergenciais capazes de reduzir os impactos da taxação estadunidense e equilibrar o comércio com a abertura ou fortalecimento de novos mercados como:
1) Aceleração do acordo Mercosul-União Europeia e engajamento com o Itamaraty para sincronizar estratégias diplomáticas e comerciais;
2) Linhas de crédito específicas para exportadores com juros mais baixos e maior prazo de carência;
3) Incentivos fiscais para diversificação de mercados;
4) Atrair empresas de países com maior taxação dos EUA para aproveitar a tarifa reduzida do Brasil e, ao se instalarem no Paraná, investirem em terrenos, obras, geração de empregos, dinamismo econômico local e ainda aumentar a arrecadação dos municípios, do Paraná e do Brasil.
Deste último item, há que ser prudente e não doar terrenos ou renunciar receitas, pois a crise dos impostos estadunidenses não será permanente e em poucos anos uma nova normalidade deve retornar. Daí a necessidade de se prevenir, se preciso realizar contratos de cessão e não doações e dar incentivos sim, mas não renunciar a novas receitas fiscais como impostos reduzidos por décadas.
Enquanto isso, a Apex-Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) já age para ampliar a participação de empresas brasileiras em feiras na Ásia e Oriente Médio.
Perspectivas
Conforme projeções, o Paraná pode perder R$ 10 bilhões de Reais (US$ 1,8 bilhão) em exportações em 2025, 15 mil postos de trabalho diretos e indiretos.
Diante do cenário desafiador imposto pelo “tarifaço” de Trump, presidente dos EUA ao Brasil, nosso Paraná se vê diante da necessidade urgente de reestruturar suas estratégias de comércio exterior. A diversificação de mercados, a busca por acordos comerciais alternativos e o fortalecimento da competitividade interna se tornam imperativos para mitigar os impactos negativos e garantir a sustentabilidade da economia paranaense a longo prazo.
@contexto.inf @profsta
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Fontes
Secretaria de Comércio Exterior (SECEX) – Dados 2023: https://balanca.economia.gov.br/balanca/pg_principal_bc/principais_resultados.html
Federação da Agricultura do Paraná (FAEP)
Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA): https://www.ipea.gov.br/
Federação das Indústrias do Estado do Paraná (FIEP): https://novo.sistemafiep.org.br/
Portos do Paraná: https://www.portosdoparana.pr.gov.br/
Sinduscon Paraná: https://sindusconpr.com.br/
Apex Brasil: https://apexbrasil.com.br/

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