Baby-Bags: Coreia do Sul Exportava Bebês como Malas em Adoções Internacionais

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Coreia do Sul Reconhece que Bebês Foram Exportados como “Bagagens” em Adoções Internacionais

A Comissão da Verdade e Reconciliação da Coreia do Sul confirmou que milhares de bebês foram enviados ao exterior como “carga” entre as décadas de 1970 e 1980.

Documentos oficiais do Governo Sul Coreano mostram que pelo menos 311 casos envolviam transporte desumano, com crianças despachadas em voos comerciais sem acompanhantes.

Relatórios da Korean Air e arquivos do governo revelam que bebês eram registrados como “material humanitário” em manifestos de voo, muitos chegando a destinos como EUA e Europa com problemas de saúde. Um caso emblemático foi o voo KE 027 em 1986, que transportou oito bebês numa única caixa térmica.

O estudo da Universidade Hanyang (2020) comprovou que 90% das 167.420 adoções no período tinham documentos falsificados, muitas vezes declarando crianças como órfãs quando tinham famílias biológicas e carentes na Coreia do Sul.

A ong Trac identificou que agências cobravam de US$ 10 mil até US$ 35 mil dólares por criança, convertendo adoções em negócio lucrativo…

A Coreia do Sul operou um dos mais brutais esquemas de adoção internacional da história moderna. Recentes investigações revelam que bebês eram literalmente despachados como bagagens ou malas em voos comerciais, daí o nome “baby-bags”, embalando a desumanização de um sistema que tratou mais de 200 mil crianças como mercadoria de exportação.

Os recém-nascidos eram transportados em malas adaptadas, bolsas térmicas ou caixas de papelão, frequentemente sem acompanhantes ou identificação adequada.

Tripulantes da Korean Air descreveram cenas chocantes: até 15 bebês por voo, amontoados na cabine de carga, chegando a destinos como EUA e Europa com desidratação grave e infecções não tratadas.

Um estudo governamental de 1999 – mantido em sigilo por 24 anos – já apontava que 95% dos casos envolviam irregularidades: desde mães coagidas a assinar documentos em hangul (que não compreendiam) até falsificação de órfãos de guerra.

Sang-Min Lee, hoje com 38 anos, descobriu que foi um desses “bebês-mala”: “Meu passaporte dizia ‘carga viva’. Fui vendido, não adotado”.

A máquina de exportação de crianças movimentou US$ 20 milhões anuais (valores ajustados), com agências recebendo até US$ 35 mil por bebê, o equivalente a 5 anos de salário médio sul-coreano na época.

O Estado Sul-Coreano facilitava o processo, emitindo passaportes coletivos e isenções alfandegárias para as “cargas especiais”… “Enterraram nossa identidade em malas junto com nossa dignidade. Isso não foi adoção – foi tráfico infantil patrocinado pelo Estado”.

Em 2023, o primeiro-ministro Han Duck-soo pediu desculpas públicas, admitindo que o Estado “falhou em proteger seus cidadãos mais vulneráveis”. Entretanto, vítimas como Kim Stoker, cujo passaporte a identificava como “carga viva”, exigem reparações concretas. “Fomos mercadorias num acordo entre governos”, declarou ao jornal inglês The Guardian.

@contexto.inf @profsta

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Fontes:

Arquivos Nacionais Coreanos: http://www.archives.go.kr

Sentença do Caso Lee vs. Holt: http://eng.scourt.go.kr

Relatório da Holt International: https://www.holtinternational.org