
Nova CNH Pode Findar Autoescolas? Revolução ou Roleta-Russa no Trânsito?
A notícia ecoa como uma granada nos corredores do poder: o Governo Federal estuda acabar com a obrigatoriedade das autoescolas para obtenção da CNH.
Sob o nobre discurso de “democratizar o acesso” e cortar custos, que hoje engolem até R$ 3 mil dos bolsos dos brasileiros, a proposta promete libertar candidatos das aulas formais. Basta estudar online e praticar com um tutor habilitado. Simples? Talvez perigosamente simplista.
Para milhões, é uma luz no fim do túnel da burocracia. Sonha-se com a flexibilidade de aprender no próprio ritmo, sem agendas engessadas.
O Estado, por sua vez, jura de pés juntos que os Detrans assumirão o bastão com “exames mais rigorosos”. Mas entre o sonho da carteira acessível e a realidade do asfalto, espreita um abismo.
Eis o outro lado da curva fechada: Professor Stallone Ribeiro, questiona: “Trocar formação profissional por tutoria caseira é como entregar um bisturi a um curioso e chamá-lo de cirurgião. Matamos 30 mil pessoas por ano no trânsito. Queremos realmente apostar em amadores?”
Sua voz ecoa o desespero do setor: 100 mil instrutores à beira do desemprego e 10 mil autoescolas ameaçadas de extinção. Os críticos não duvidam das boas intenções, mas alertam para o precipício.
“Autoescola não ensina só a engatar a marcha”, destaca o professor Stallone Ribeiro. “Ensina a ler o risco invisível, a reagir ao buraco disfarçado de poça, a salvar vidas com primeiros socorros. Isso não se aprende no YouTube entre um meme e outro.”
O fantasma é claro: motoristas “meia-boca” saindo das cozinhas direto para ruas já caóticas, onde Brasil figura entre os campeões mundiais de mortes no asfalto.
Há saída no meio do congestionamento? Ribeiro aponta alternativas: “Por que não um modelo híbrido? Reduzir aulas práticas obrigatórias pela metade e subsidiar quem não pode pagar. Transformar autoescolas em centros de certificação de tutores. Exames práticos com câmeras 360° e sensores de emergência. Isso sim é modernizar sem jogar a segurança no lixo.”
Enquanto o projeto não vai à votação, o debate ferve. De um lado, a pressão por inclusão; do outro, o grito por vidas preservadas. Uma coisa é certa: “Economizar na formação pode se tra sformar em gastar com sangue no asfalto”, sentencia o professor. O Brasil precisa decidir se quer uma revolução ou uma roleta-russa de aço e concreto.
Você arriscaria sua vida no carro ao lado de quem aprendeu dirigir só com o pai?
@contexto.inf @profsta
Entre em Nosso grupo WhatsApp e receba as Notícias em Primeira Mão: Clique Aqui

Compartilhe
Compartilhe: