
21 de fev. de 2023 – Um acordo multilateral entre economias emergentes teorizado em 2001 e organizado de modo crescente nos anos seguintes, trata-se do acrônimo das iniciais (em inglês) dos países Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, entretanto não é um bloco econômico clássico como Nafta, União Europeia ou Mercosul.
Os objetivos variam da criação de um banco de reservas emergenciais para eventuais socorros econômicos, fortalecer as economias dos países e estabelecer cooperação nas áreas técnica, científica, cultural e no setor acadêmico.
Com diálogo aberto, respeitoso e estratégico entre os membros emergentes, a união espontânea, cooperativa e alto financiada por um banco próprio pode ofuscar a hegemonia ocidental como do BIRD ou do FMI. Isso já sinaliza uma soberania financeira e potencial para concorrer nos financiamentos de novos projetos privados ou estatais de outros Estados.
No Brasil o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) já financia empresas locais com garantias e seguros em obras e projetos em países africanos e latino-americanos com forte lucratividade. Há casos de corrupção e muitas disputas ideológicas, contudo, financeiramente, o retorno em forma de Lucro é certo às empresas e ao BNDES.
Com bom planejamento, organização e controles rígidos no combate a corrupção, um banco dos BRICS terá capital financeiro trilionário, mercado de amplitude global em todos os continentes e as oportunidade de negócios seriam multiplicadas. No capitalismo financeiro, um concorrente bancário global a mais é preocupação para as economias centrais…
Apesar de promissora, alguns “tropeços” atrasaram a ascensão dos BRICS e a sua fixação entre as potências globais: No Brasil, o impeachment de 2016 (perfeito no trâmite legal) interrompeu a linha construtiva, trouxe desconfiança global à estabilidade política e econômica fortalecida pela onda negacionista, militarização crescente e forte ideologia vinculada aos EUA; Na Rússia as denúncias de autoritarismo à la KGB, perseguição de jornalistas, liberdades sexuais (LGBTQIA+) e a “guerra da Ucrânia”; Na Índia (e no mundo) a pandemia de covid-19; Na China a tensa herança da guerra fria que continua a bipolarizar socialismo com capitalismo, mas também a concorrência pelas tecnologias como 5G… Ou seja, todos do BRICS atrasaram o projeto maior por motivos próprios ou coletivos.
Agora em 2023 a guerra da Ucrânia permanece imprevisível e mantém a Rússia no foco global; Índia e China tem relativa estabilidade e mantém forte crescimento econômico pelos bilhões de habitantes que se profissionalizam e são absorvidos no mundo do trabalho, do consumo e dinamizam das economias locais até o comércio global; já no Brasil um novo governo busca resgatar o auge econômico de início dos anos 2000 e voltar a ser a 6ª economia global como em 2011 ou mais.
Em especial no Brasil, estamos “com a faca e o queijo na mão” em uma janela ímpar de oportunidades para resgatar a geopolítica brasileira e ascender novamente a um dos países mais importantes no mundo: Eminente fim da pandemia de covid-19; retomada dos serviços em especial do turismo e vantagens climáticas e paisagísticas no Brasil; evidente crise climática global e potencial de Sustentabilidade no Brasil ser um dos maiores e melhores no mundo; retomada do diálogo diplomático imparcial; potencial de energias, matérias-primas, minérios de interesse global; e grande mercado consumidor brasileiro. Com estas “vantagens” e “oportunidades”, o Brasil pode resgatar seu protagonismo.
E os primeiros passos já foram dados: Através da ONU, Brasília, Kiev e Moscou podem iniciar um diálogo de paz e modificar a dinâmica da guerra da Ucrânia. O Brasil pode ser mais um mediador de um esperado Armistício entre Rússia e Ucrânia. Kiev pediu e acertou diálogo entre presidentes aqui no Brasil após o carnaval (Março?). Em Abril o chanceler russo Sergei Lavrov vem ao Brasil e em suas várias declarações está “disposto a negociar”.
Entre as expectativas além do cessar-fogo, o fim das sansões a economia russa e retomada do fornecimento de gás e petróleo russo à Europa podem acalmar a disputa bélica.
Um armistício será uma grande conquista global e um marco diplomático capaz de proteger vidas, acalmar tensões e reorganizar a economia global de energias. No caso do Brasil, uma oportunidade de resgatar sua geopolítica e retomar o projeto dos BRICS.
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