
28 de mar. de 2023 – Uma pesquisa feita pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) contabilizou 23 registros de ataques com violência extrema em escolas no Brasil nos últimos 20 anos.
Entre 2002 e 2023, 24 estudantes morreram, além de quatro professores e dois profissionais de educação, como a professora da escola estadual de São Paulo de 71 anos morta a facadas nesta segunda-feira (27/03) por um aluno.
Para a pesquisadora Telma Vinha, da Faculdade de Educação e Coordenadora do Grupo “Ética, Diversidade e Democracia na Escola Pública” do Instituto de Estudos Avançados da Unicamp, os ataques podem ser evitados se houver um trabalho que acompanhe alunos e o comportamento deles não só na escola, mas também no seu dia a dia.
“Muitos claramente colocam na internet que vão atacar a escola. Sabemos que vai acontecer de novo, só não sabemos quando. Quando você atinge uma escola, você atinge uma comunidade. A escola faz parte da identidade das pessoas”, afirma.
O que também tem chamado a atenção dos pesquisadores é que os ataques têm aumentado em números do ano passado para cá. Foram sete no 2° semestre de 2022 e dois este ano: um deles na capital e outro em Monte Mor, no interior paulista. “Isso é muito sério. O crescimento é exponencial”, afirma a professora Telma Vinha Violência dentro de escolas.
Instituto de Estudos Avançados da Unicamp Ataques (2002-2023):
- * Escolas estaduais: 12
- * Escolas municipais: 7
- * Escolas particulares: 4
- Vítimas fatais (2002- 2023):
- * Estudantes: 24
- * Professores: 4
- * Profissionais de educação: 2
- Motivação:
- * Vingança, raiva
- * Usuários de cultura extremista
- É urgente pensar em Educação como reflexo social real, um país com altos índices de violências carrega este clima para dentro das escolas.
Outro fator decisivo é a tecnificação e automação do Ensino com uso de plataformas que contribuem com a didática, porém quando obrigatórias afastam os estudantes da relação amistosa com professores e a frieza do estranho contribui à insensatez da violência, afinal, são estranhos, distantes e não há empatia.
A Saúde Mental também é caso sério dentro das escolas. Professores desvalorizados e com alta carga horária dentro de salas (muitos Estados e municípios não cumprem a lei da hora atividade = 1/3 da jornada fora da sala no planejamento e 2/3 em sala com estudantes) acabam por sobrecarregar suas rotinas e resta pouco tempo para observar e registrar tais suspeitas.
Muitos alunos também têm sintomas psicóticos, com o alto custo das consultas privadas e longas filas no sistema público, há um grande abismo entre os diagnósticos e uma multidão de jovens adoecendo.
Além da prevenção com sistemas de câmeras, vigilância e acompanhamentos psicopedagógicos, é urgente desenvolver uma educação humanizadora, solidária, empática que valorize as relações humanas com desenvolvimento intelectual, não apenas métricas, números e gráficos.
Educação é Construção Social Humana!

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